História da Senhora de Aparecida – 1717

  1.  

Por Ana Burke.

O planalto de Piratininga era o centro de partida, através do Rio Paraíba, na tentativa das bandeiras em encontrar esmeraldas. o que deixava o povo em polvorosa. Raposo Tavares organizou uma expedicão em 1713  e fracassou no seu intento, deixando o povo muito decepcionado e, segundo a história dá a entender, era necessário o momento ideal para que algo extraordinário acontecesse. São Paulo e Minas Gerais faziam parte da mesma capitania e tinham um governador encarregado de coletar impostos que deveriam ser pagos à Coroa Real Portuguesa. O governador Dom Braz Baltazar da Silveira foi substituído pelo Conde de Assumar que chegou em São Paulo, aos 4 de Setembro de 1717, sendo empossado no cargo como governador. Ele foi visitar Guaratinguetá com a sua comitiva, sendo recebido pelo então pároco de Guaratinguetá, padre José Alves Vilela que encarregou três pescadores de pescar os peixes para o banquete que seria oferecido em homenagem ao Conde e sua comitiva.  Estes pescadores eram Domingos Martins Garcia, João Alves e Felipe Pedroso, pessoas muito pobres e simples. Segundo descricão da Igreja:

 Para quem já teve a oportunidade de visitar o Porto de Itaguaçu, onde o rio faz uma curva e, devido a essa curva, as águas fazem redemoinhos, são mais profundas e escuras. Foi exatamente nesse lugar onde os três pescadores encontraram a imagem da Sra. Aparecida.

A imagem, segundo descrição da igreja, foi pescada, primeiramente o corpo e numa segunda vez que os pescadores jogaram a rede, veio então a cabeça da mesma. A Igreja ainda acrescenta que os pescadores passaram o dia todo tentando pegar os peixes e o estranho e inacreditável é que eles passaram o dia todo pescando num lugar onde nenhum pescador experiente jamais iria pescar. Milagre foi estes pescadores irem pescar justamente neste lugar, ficar o dia inteiro lá mesmo sabendo que naquele lugar jamais encontrariam peixes.

Segundo a Igreja a imagem apareceu escura para se identificar mais com o povo de pele escura que sofria a mais vergonhosa escravidão aqui no Brasil. Absurdo já que a Igreja Católica foi responsável pela escravidão dos negros. Basta ler as Bulas papais para descobrir a verdade.

Em 8 de Janeiro de 1455, o papa Nicolau V esclareceu um problema, surgido entre os Portugueses e espanhóis, sobre quem seria o dono das Ilhas Canárias, decidindo esta questão a favor dos portugueses, na bula “ROMANUS PONTIFEX” onde reafirma tudo o que foi dito na bula “DUM DIVERSAS”. E nesta bula, o papa também sancionou, isto é, deixou bem claro, que os Portugueses deveriam realizar a compra de escravos negros ao longo da costa africana usando a força ou trocando-os por mercadoria.

Trecho da Bula Romanus Pontifex:

“Desde então, além disso, muitos homens da Guiné e outros negros, tomados à força, e alguns pela permuta de artigos não proibidos, ou por outros contratos legais de compra, têm sido enviados para os ditos reinos. Um grande número destes tem sido convertidos à fé Católica, e isso é desejável, através do socorro da misericórdia divina, e se tal progresso for continuado com eles, também aqueles povos serão convertidos para a fé ou pelo menos as almas de muitos deles serão ganhas para Cristo.”

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Conclusão:
  • Qualquer pescador sabe que não se encontra peixe num lugar de águas revoltas, com redemoinhos e ondas.
  • É muito estranho que se tenha pescado esta imagem justamente no mesmo dia em que o governador estava visitando a paroquia e a cidade de Guaratinguetá.
  • As águas eram profundas, escuras, com redemoinhos e revoltas, mas mesmo assim eles conseguiram pescar o corpo, parte maior, aproximadamente 30 cm e jogando novamente a rede, pescaram a cabeça, extremamente minúscula, o suficiente para passar pelos buracos da rede.
  • A imagem de Nossa Senhora de Guadalupe foi criada para subjugar os índios, que necessitavam urgentemente ser convertidos ao catolicismo, esquecer os seus deuses antigos, e assim surgiu a imagem que os deslumbraria com características indígenas. Os índios adoravam o deus “Sol”, as estrelas e a imagem está vestida de sol, com estrelas no manto azul e, segundo a igreja, com a intenção de mostrar aos índios que o Deus representado por Maria  é mais poderoso que as estrelas. A imagem de Guadalupe tem a cabeça curvada, diferentemente dos deuses e deusas astecas que tinham a cabeça erguida como sinal de orgulho pela sua raça que olhavam diretamente nos olhos, olhos grandes,  como os deuses destituídos de hipocrisia. Olhando para a imagem de Guadalupe eles deveriam aprender a abaixar a cabeça, principalmente as mulheres e se tornarem obedientes à fé cristã. Eles veneravam Quetzalcoatl (serpente de pedra), representada por uma lua encrespada e, segundo a igreja, na imagem: “Os pés de Maria estão firmemente apoiados sobre a lua, simbolizando que Ela está esmagando o deus deles”.
  • Existem muitas obras de arte antigas feitas de terracota, um barro preto rico em óxido de ferro. Portanto, a imagem não é negra pelo fato de ter ficado muito tempo debaixo da água e ela não é negra porque  Maria “sofria por causa da vergonhosa escravidão no Brasil”, como diz a igreja.
  • Antes da fama da consagração de N.S. Aparecida como santa milagreira, o título de padroeiro do Brasil pertencia a Dom Pedro de Alcântara. Este título foi tirado de Dom Pedro e dado à Senhora de Aparecida, sendo ela então declarada padroeira do Brasil em 16 de Julho de 1930 pelo papa Pio XI, sendo confirmado este título em 31 de maio do ano seguinte por Getúlio Vargas e isto levou até Aparecida do Norte milhares de peregrinos, fiéis, curiosos,  e  religiosos. Depois, por causa do aumento no número de devotos, foi construído então um novo templo, no Morro das Pitas.

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Milagres atribuídos a N. S.  de Aparecida:

As informacões com relacão aos milagres de Aparecida foram retirados de um site católico, disponívem em: <http://www.catequisar.com.br/texto/materia/celebracoes/padroeira/08.htm > Acesso em 21/04/2013.

  1. “As pessoas estavam orando e as duas velas que iluminavam a Santa se apagaram. Houve espanto entre os devotos, e Silvana da Rocha, querendo acendê-las novamente, nem tentou, pois elas acenderam por si mesmas”.
    • Em que data ocorreu o fato? Quem era Silvana da Rocha? Onde nasceu? Onde morreu? Como? Onde morava? Quem era a família dela? Qual era a sua situação financeira? Era casada? Tinha filhos? Era branca? Negra? Quantos anos? Quem eram os devotos que estavam com ela? A igreja tem que ter todas estas informações para que haja confirmação e reconhecimento do milagre, ou não é milagre.
  1. “O escravo Zacarias havia fugido de uma fazenda no Paraná e acabou sendo capturado no Vale do Paraíba. Foi caçado e capturado por um famoso capitão do mato e, ao ser levado de volta, preso por correntes nos pulsos e nos pés, e como passassem perto da capela da Santa, pediu permissão para rezar diante da imagem. Rezou com tanta devoção que as correntes milagrosamente se romperam, deixando-o livre. Diante do ocorrido, seu senhor acabou por libertá-lo”.
    • Quem era o capitão do mato? Quem era o senhor que libertou Zacarias? De qual fazenda ele estava fugindo? Onde se localizava esta fazenda no Paraná? Em que data aconteceu o fato? Quem são as testemunhas? O que Zacarias fez depois que ficou livre?…).
  1. “Um cavaleiro que passava por Aparecida, vendo a fé dos romeiros, zombou deles e tentou entrar na igreja a cavalo para destruir a imagem da santa. Na tentativa, as patas do cavalo ficaram presas na escadaria da igreja. Até hoje pode-se ver a marca de uma das ferraduras em uma pedra, na sala dos milagres da Basílica Nova”.
    • ( Quem era este senhor? Ele tinha nome? Quantos anos tinha? Onde morava? Em que data ocorreu o fato? Em que hora? Em que cidade nasceu este senhor? Quando nasceu? Ele morreu? Onde? Como? Quem eram os membros de sua família? Era casado? Tinha filhos? Quem era a sua esposa?…
  1. “Uma menina cega, ao aproximar-se, com a mãe, da Basílica, olhou em direção a ela e, de repente, exclamou “Mãe, como aquela igreja é bonita.” Estava enxergando, perfeitamente curada”.
    • Quem era esta mãe? Quem era esta menina? A mãe e a menina tinham nomes? Qual era a idade delas na época? A igreja tem algum comprovante de que ela era realmente cega? Onde moravam? Em que cidade? Quais são as testemunhas do fato ocorrido? Qual é a data?…
  1. “O Pai e o filho foram pescar, durante a pescaria a correnteza estava muito forte e por um descuido o menino caiu no rio e não sabia nadar, a correnteza o arrastava cada vez mais rápido e o pai desesperado pede a Nossa Senhora Aparecida para salvar o menino. De repente o corpo do menino para de ser arrastado, enquanto a forte correnteza continua e o pai salva o menino”.
    • Estranho um pescador pescar na correnteza forte, mas…Quem era o pai? Quem era o filho? Eles tinham nome? Qual a idade deles quando ocorreu o fato? Onde nasceram? Quando morreram? Onde moravam? Em que cidade? Qual é a data? Qual a aparência deles na época? …
  1. “Um caçador estava voltado de sua caçada já sem munição, de repente ele se deparou com uma enorme onça. Ele se viu encurralado e a onça estava prestes a atacar, então o caçador pede desesperado a Nossa Senhora Aparecida por sua vida, a onça vira e vai embora”.
    • Quem era o caçador e onde ocorreu o fato? Quando? Havia testemunhas? Como era o nome do caçador? Quem era a família do caçador? Onde ele morava? Qual era a idade dele? Qual era a sua aparência?

Se a igreja publica o milagre como tendo acontecido, é porque existem provas de que o milagre realmente aconteceu e com todas as informações disponíveis, do contrário é “diz-que-diz”, mentiras para convencer as pessoas simples de que a estátua têm poderes milagrosos. É o que se faz também nas igrejas evangélicas onde pastores dizem de si mesmos que são capazes de fazer milagres. Só que nenhuma igreja ou “homem de Deus” até hoje fez com que uma pessoa com membro amputado recuperasse este membro.

A Igreja Católica diz que era costume oferecer escravos à Santa ou aos santos em pagamento de alguma promessa. Só NOSSA SENHORA APARECIDA, conforme os registros da Cúria, diz a igreja, recebeu mais de 60 escravos.  Disponível em: < http://apostled.tripod.com/milag.html > Acesso em 21/04.2013

Quanto aos escravos que eram doados à Santa ou aos Santos, continuavam escravos. Só mudavam de dono, pois continuavam trabalhando e a liberdade e estes “direitos humanos” que a igreja apregoa era falsa se eles não tinham salário. Isto significa que a “Virgem tinha escravos” e usava trabalho escravo. Todas as igrejas antigas foram construídas por escravos e a Igreja Católica traficava escravos.

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Sobre Milagres

Lessing […] diz uma coisa curiosa: é preciso distinguir o vaticínio (ou milagre) da notícia a respeito dele. Para Lessing, a maior parte dos casos é notícia, não são fatos. […] Quando se começa a apurar a veracidade da notícia, ela vai acabando, vai se esvaziando e ninguém consegue realmente demonstrá-la […] Quando se resolve apurar bem como foi, prevalece a notícia. Se pergunto: “Você viu esse fato extraordinário?” Dizem: “Não, eu não vi. Quem viu foi o meu irmão, ele me relatou o fato, mas eu não vi.” “Vamos conversar com o seu irmão. “Escute aqui, você viu?” “Não, eu propriamente não vi, mas um cunhado meu contou, ele viu.” Quando chego ao final dessa cadeia, ninguém viu. Foi uma notícia apenas […] Não sei se vocês já perceberam isso. Toda vez que acontece um terremoto na Turquia, ou um fato qualquer, sempre há um “eu previ”. Só que ninguém viu quando ele previu, e ele só previu agora, depois que o fato aconteceu.

A questão das curas milagrosas está dentro desse princípio. Nós sabemos que algumas doenças curam-se espontaneamente, ainda que sejam graves e até mortais. Não há nenhum caso conhecido da cura espontânea da hidrofobia, da raiva […] Todos perecem. Porém, se um dia alguém não perecer, isso não é um milagre, porque existe essa possibilidade estatística. Existe a possibilidade de haver uma mutação genética em alguma pessoa determinada, essa mutação produzir anticorpos contra o vírus da raiva, e a pessoa se curar da raiva espontaneamente. Não é um absurdo, não é milagre que isso possa acontecer. Embora, até o momento, seja de ocorrência zero.

Existem inúmeros relatos de cura espontânea, sem necessidade de intervenção sobrenatural, de doenças ditas mortais ou muito graves, como o câncer, a neoplasia

Há outros fenômenos que, se ocorressem, seria difícil entender como, sob o ponto de vista meramente estatístico. Por exemplo: aparecer […] uma perna que foi amputada ou um braço que foi amputado. De repente, surgiu um braço ou uma perna. Doutor Miguel Chalub. Disponível em: <http://www.clfc.puc-rio.br/pdf/fc40.pdf > Acesso em 21/04/2013

4 comentários sobre “História da Senhora de Aparecida – 1717

  1. Histórico
    Pelo próprio fato de ser o catolicismo romano a religião oficial do Reino de Portugal, a nomeação dos bispos dependia inteiramente da indicação feita pelo rei, conta Dr. Aníbal. Em Guaratinguetá, encontrava-se, como vigário, o jovem padre JOSÉ ALVES VILELA, que como todo clérigo, conhecia a arte de bajular e pessoalmente sofria de “bispite” aguda (o desejo desenfreado de ser bispo). Como o Conde de Assumar pernoitaria em Guaratinguetá, percebeu nisso uma extraordinária oportunidade de, bajulando, credenciar-se às boas graças do Governador, que o apontaria a El Rei como candidato à mitra.

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