Fé Religiosa

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Por Ana Burke

A FÉ, não fundamentada e organizada em forma de religião está atrelada a uma seita e o batismo é a porta de entrada para esta seita. Como membro da seita, a pessoa concorda em não usar a razão e se compromete a ser fiel aos dogmas da seita. O presidente da seita, leva o nome de pastor, doutrinador, evangelizador, sacerdote, Guru, etc. e usa de todos os meios ao seu alcance para manter o fiel doutrinado/evangelizado e no redil. Tudo, a partir de então, toma um novo sentido ou um novo significado para o doutrinado e a vida não é mais a sua vida, o corpo não é mais o seu corpo, o desejo é suprimido, o sexo é controlado e a ignorância, a humilhação, a subserviência e a pobreza, passam a ser coisas louváveis.

Ao perder a capacidade de usar a razão o fiel perde a consciência de mundo, perde as próprias referências do seu real valor como pessoa e ser humano, passando a viver de chantagens, ameaças, esperanças, promessas vazias, do medo da morte e, principalmente, de intrusos (o tentador, diabo ou Satanás), uma ameaça perigosa a ser combatida. Além destes intrusos ou infiéis, é necessário que as crenças sejam protegidas de outras crenças ou outros doutrinadores de outros currais que teriam o poder de fazer as pessoas se afastarem do que ela acredita ser religião, em outros deuses diferentes (demônios), cujas técnicas de expulsão foram aprendidas num livro escrito por homens rudes e com mentalidade atrasada que tinha como finalidade a soberania de um deus único como se pode ver em Deuteronômio 32:17: “Sacrifícios ofereceram aos demônios, não a Deus; aos deuses que não conheceram, novos deuses que vieram há pouco, aos quais não temeram vossos pais”

Estas divindades, ou demônios, estranhos ao curral, se impregnam nas mentes das pessoas como se fossem ácaros da sarna, ou bernes, tendo os mesmos que ser retirados de seus corpos e expulsos. A maioria dos pastores, passam boa parte do tempo em guerra contra tais entidades e vale qualquer artifício para destruir os alienígenas.
O mais estranho é que tais entidades só existem na imaginação ou realidade daqueles que frequentam templos e estas só se manifestam nestes lugares. Não existiria religião sem o suporte de tais entidades assim como não existiria Deus. Todos tem que ter ou acreditar que estão sob ameaça constante ou sendo perseguidos.

Quando temos FÉ, a fé ensinada, a fé que veio de uma doutrina, nós a compramos e mantemos a organização dona da fé que, automaticamente, passa a ser dona das nossas ações, pensamentos e nos tornando frágeis e dependentes destas organizações. Entregamos a outros o controle total daquilo que deveria ser mais importante para a nossa sobrevivência e liberdade: A nossa mente. Pagamos muito caro pela nossa ingenuidade e covardia diante da vida e entregamos a estas organizações a vida de nossos próprios filhos que passam a ser “filhos da alienação”. Tenha fé numa montanha e confie que ela vai se mover com o poder desta fé. Me parece que o ser que ensinou tal coisa é considerado um sábio mas. sabedoria para mim, é muito diferente disso. O correto seria ensinar as pessoas a não esperar que a montanha se mova, mas a enfrentar as dificuldades para chegar até ela, escalar tal montanha e chegar ao topo da mesma. A fé paralisa e mata. Pessoas com fé, se ajoelham, imploram e esperam que as coisas aconteçam. A montanha não se moverá porque quem têm a capacidade e o poder de se mover, é você, e não a montanha.

A FÉ nos faz procurar ou confiar naquilo que está fora de nós e gastamos toda a nossa energia esperando pelo impossível, ao passo seria tudo muito mais simples, se olhássemos para nós mesmos, e acreditássemos na nossa capacidade de mudar, olhar, ouvir, andar e construir. Enquanto esperamos, nada é feito e estamos perdendo um tempo precioso que não volta nunca mais; não estamos aprendendo e vamos morrer não sabendo. Confiar cegamente em “contos do vigário” não é bom; fazer as mesmas coisas todos os dias, da mesma forma, também não é bom; repetir as mesmas rezas, as mesmas palavras, ouvir as mesmas ladainhas, ir aos mesmos lugares e nunca se desviar da estrada para olhar além também não é bom. Agir desta maneira vai fazer com que os nossos sentidos fiquem embotados, atrofiados por falta de uso.

Se o seu deus te impede de viver, de pensar, de questionar, você não tem um deus. Se você têm um deus que você teme, faz chantagens, cria mandamentos, leis e ameaça com castigos se não seguir tais leis, você não têm um deus. Se o teu deus cabe dentro de um templo ele é infinitamente pequeno e insignificante. Se o teu deus precisa de um homem ou um livro para se comunicar com você, ele é falso, a sua vida é falsa e a sua fé é tola.

Precisamos nos reciclar, oxigenar as nossas mentes; ouvir o trinado dos pássaros e sentir a nossa própria pulsação quando nos deparamos com o novo, inusitado e maravilhoso; caminhar olhando para os lados, observar, nos encantar, aprender a discernir o certo do errado, o bonito do feio e entrar sempre pela porta que amplia o conhecimento de nós mesmos, como parte da natureza, e do mundo.

A vida nos proporciona novas descobertas todos os dias e nos faz sonhar sonhos que somos capazes de realizar. Nada é impossível e tudo é permitido se temos entendimento, discernimento e bom senso para avaliarmos racionalmente as possibilidades que se nos apresentam. Os nossos filhos estão ajoelhados e com a cerviz dobrada dentro de templos enquanto poderiam estar rindo soltos neste mar verde e azul que encanta os poetas, aprendendo a viver e a conviver, livremente, sem dogmas e sem fronteiras.

Temos tudo e somos miseráveis. Temos a vida pra viver e cultuamos a tortura, o sofrimento e a morte. Existem sensações novas a experimentar, sensações novas e maravilhosas que nos fazem crescer e perder o medo de voar e tudo isso, nós jogamos fora, cortando também as asas dos nossos filhos.
Existe uma grande diferença entre cair no espírito e rolar na areia da praia; entre rezar o “Pai nosso” e conversar com o Universo; pedir e se sentir dono; amar e temer; viver e morrer; ouvir o sino nos chamando para o redil e ouvir o mar nos convidando para velejar, andar em procissão atrás de uma estátua de gesso e andar em direção aos braços do ser amado.

Existe uma grande diferença entre viver e sobreviver e, em troca de uma crença ou fé inculcada, construída e sustentada pela ignorância:
Nos esquecemos de quem somos
Nos esquecemos que somos
Nos esquecemos, e não mais somos.

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