Eu tenho FÉ. Sou CRENTE

Por Ana Burke

Eu, um dia acreditei, e até hoje acredito sendo, portanto, uma pessoa crente. Que tipo de crente eu sou? Vou dizer a vocês o meu exemplo, 1% da minha vida, e que eu tenho certeza, é um exemplo, não somente vivido por mim, mas por muitos outros.

Eu me separei do meu marido e carreguei comigo para outra cidade dois filhos, um de três anos e outro de 5 anos. Larguei o trabalho no qual era professora concursada na Prefeitura de São Paulo e trabalhava também no Estado.

Comecei tudo do zero, numa outra cidade, sozinha e com duas crianças para sustentar. Arrumei um trabalho para ganhar a terça parte do que eu ganhava, pagava aluguel e fui dando um jeito. Fiz outros concursos no Estado de Minas Gerais e na prefeitura da cidade onde eu morava. Passei no concursos e fui dando um jeito. Fazia cursos, todos os que apareciam, principalmente na área humana. Houve uma época em que eu dava aulas de Matemática, Ciências, Horticultura, Educação Religiosa e computação. Tudo ao mesmo tempo. Chegava em casa à noite, e enquanto fazia comida para deixar para os meus filhos, ia limpando a casa e a bagunça que eles faziam. Dormia uma base de três ou quatro horas por dia porque tinha que estudar, ler muito, preparar aulas ou corrigir provas.

Um dia eu disse para os conhecidos e parentes: Eu vou fazer a minha casa. Me animaram muito…”você só têm este fusca velho e um terreno. Está sonhando.” Eu decidi vender o fusca, comprei um caminhão de areia, coloquei no terreno e disse a eles: Agora eu não tenho só o terreno, tenho o terreno e mais um caminhão de areia. A minha mãe ficou muito sentida, preocupada e me disse: Você está acostumada com carro e como vai trabalhar? Eu respondi: Como a maioria faz, me levantando mais cedo e pegando um ônibus.

A minha mãe me cedeu o porão para morar enquanto levantava a casa com o dinheiro que eu deveria gastar em aluguel. Era um porão todo embolorado e eu vivi ali com os meus filhos por três anos. Ia comprando janelas, azulejos, pisos, torneiras e guardando tudo, sem ficar devendo. Comprava uma coisa, pagava e depois comprava outra. Consegui levantar parte da casa até na laje, coloquei o telhado e me mudei pra lá com os meus filhos. Continuei sem carro e fiquei sem carro por dezesseis anos ou mais. Nunca senti falta. Decidi fazer mais uma faculdade…nada de sobrar dinheiro pra carro. Depois decidi fazer uma pós graduação e outra e outra. Fiz quatro delas e enquanto isso não parei com a minha casa. Fui terminando. Queria deixar uma casa para os meus filhos morar. Eu nunca fui materialista mas sempre soube que numa sociedade as pessoas precisam de segurança, educação e, no mínimo, uma casa para morar.

A casa está pronta? Não. Falta garagem coberta, pintar por fora e mais algumas coisas, mas isto não é importante. Nunca acredite em alguém que te diz que não vai conseguir. Dizer isso pra mim é um desafio. Que seja um desafio para você também. Pense sempre da seguinte forma. O importante é começar, o resto vem depois.

Por que estou contando isto? Por quê isto é FÉ, é CRENÇA. Mas uma fé diferente, uma crença diferente, não religiosa, não aprendida em igrejas. É uma crença que eu sempre tive em mim mesma.

Eu me autodenominava Católica, mas não frequentava a igreja, não ia a missas e quando ia, achava aquilo uma perda de um tempo precioso e irrecuperável. Um deus verdadeiro não poderia ser aquilo que eles estavam me mostrando ou tentavam me convencer que existia, onde um teria que se submeter ao outro. Um deus verdadeiro teria com o outro uma relação construtiva e de respeito. Um deus verdadeiro não se manifestaria apenas num templo feito de paredes que me parecia muito mais uma grade. O correto deveria ser que o mundo todo, o Universo e a natureza fossem o seu templo. Cada folha de árvore deveria ser sagrada, cada animal deveria ser sagrado, cada ser humano independente da sua cor ou da sua opção sexual deveria ser sagrado. Como acreditar num deus em forma de homem e que faz da mulher, da qual ele nasceu, um ser humano inferior? Como um deus poderia ditar regras de conduta se tudo o que ele fez ou faz é perfeito? Como acreditar que existe um livro sagrado que eu devo reverenciar, seguir e que ao mesmo tempo quer me ensinar a desprezar o mundo ao meu redor e a mim mesma pelo fato de ser mulher? Eu sou uma mulher e fiz muito mais na vida do que a maioria dos homens que eu conheço. Acreditar que eu nasci para servir e ser submissa a um homem ia contra o respeito para comigo mesma e para com um deus construtivo e verdadeiro.

Comecei a ler o “Livro Sagrado”. Me inteirei dele todo. Fiquei chocada. Fui mais longe e comecei a estudar mitologia, crenças antigas e história.

Nunca mais entrei em nenhuma igreja a não ser para estudar e observar.

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